Dedicado a Helena Terra

segunda-feira, 2 de maio de 2016

De Guilherme de Almeida


Mormaço


Calor. E as ventarolas das palmeiras
e os leques das bananeiras
abanam devagar
inutilmente na luz perpendicular.
Todas as coisas são mais reais, são mais humanas:
não há borboletas azuis nem rolas líricas
apenas as taturanas
escorrem quase líquidas
na relva que estala como um esmalte.
E longe uma última romântica
- uma araponga metálica – bate
 o bico de bronze na atmosfera timpânica.


(Meu, 1925)


Guilherme de Almeida (1890-1969) - Poeta, tradutor, publicou mais de duas dezenas de coleções de poemas, reunidos em Toda poesia (1952) e Meus versos mais queridos (1967).


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