Dedicado a Helena Terra

segunda-feira, 4 de abril de 2016

De Carlos Pena Filho

A solidão e sua porta 
                        
                       A Francisco Brennand


Quando mais nada resistir que valha
A pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar
(Nem o torpor do sono que se espalha)

Quando pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
E até Deus em silêncio se afastar
Deixando-te sozinho na batalha

A arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e provisório
E de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório.

(Livro geral, 1959)




Carlos Pena Filho (1929-1960) - Nascido em Recife (PE), com a separação dos pais transferiu-se para Portugal, onde viveu dos oito aos 12 anos. Advogado e jornalista, morreu em sua cidade-natal em um acidente automobilístico, deixando quatro livros de poemas: O tempo da busca (1952), Memórias do Boi Serapião (1956), A vertigem lúcida (1958) e Livro geral (1959).

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